Eram Seis Assinalados

Último romance publicado em vida por Lindanor Celina, em 1994. Editado pela Cejup, contém 248 páginas, com prefácio do crítico Fábio Lucas. Completa a trilogia de Irene, protagonista de Menina que Vem de ItaiaraEstrada de Tempo-Foi.

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Em setembro de 1994, esteve pela última vez em Bragança na sessão de autógrafos do romance nos altos do Banco do Brasil. Amigos e curiosos prestigiaram o evento.

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Dalcídio Jurandir é homenageado por estudantes em Icoaraci

Ontem de manhã, um grupo formado por cinco alunas do 6º ano do Centro de Estudos Fantástico (unidade de Icoaraci) participou da I Mostra Cultural “Belém 400 anos” da escola com uma exposição sobre a vida e a obra de Dalcídio Jurandir.

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Festival da Cultura Negra homenageia Vicente Salles (In Memorian)

Fiz uma homenagem ao saudoso historiador paraense Vicente Salles no Festival de Cultura Negra da Escola Estadual Avertano Rocha, realizado anteontem (18/11) no Distrito de Icoaraci, em Belém (PA).

Falei da importância do livro O Negro no Pará como um marco para uma nova visão do tema na historiografia amazônica.

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Mostra de Cinema do Festival Escolar da Cultura Negra 2016

Local: Sala de Multimídia – Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Avertano Rocha

Coordenação: João Jorge Reis, Miguel Alves e Odimar Melo


Data: 26 de outubro     –     Horário: 19:00

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Data: 27 de outubro     –     Horário: 19:00

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Data: 12 de novembro     –     Horário: 09:00

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Data: 16 de novembro     –     Horário: 19:15

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Data: 16 de novembro     –     Horário: 19:50

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Data: 17 de novembro     –     Horário: 19:50

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Data: 17 de novembro     –     Horário: 19:50

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Maria de Fátima Monteiro Ferreira (1954-2016)

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Raimundo Rufino Almeida (*25.07.1936, +18.07.2016)

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“Poesia da Primeira Geração da Revista Bragantina” ganha um glossário

wp_ss_20160713_0001Pesquisa realizada por Milena Brito, graduanda em Letras pela Universidade da Amazônia (UNAMA) e proprietária do blog “Glossário”.

Acesse a postagem completa:

http://glosmilena.blogspot.com.br/2016_06_01_archive.html.

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De Castro e Souza

“Antonio Telles de Castro e Souza nasceu em Bragança – Pará, no dia 14 de novembro de 1891, filho de Theodoro Severo de Souza e Maria Leonor Telles de Menezes Castro e Souza.

Seu pai era guarda-livros das casas comerciais de Bragança. Sua mãe, portuguesa e ele era o filho mais velho do casal.

Seus avós maternos foram de muda para Portugal e levaram o neto com três anos de idade após a morte de sua mãe, onde recebeu a educação lusitana, estudou em Coimbra e Liverpool.

Era poeta, pianista, compositor, professor de português e francês, falava inglês e conhecia o espanhol.

Voltou pela primeira vez ao Pará em 1908 para rever o pai, irmãos e conhecer os irmãos do 2º matrimônio.

Casou-se em Portugal com uma portuguesa de nome Maria, no início da década de 20, com quem teve um filho chamado Carlos, mas logo se separaram.

Em 1926 veio novamente ao Brasil, fixando-se entre Rio e São Paulo. Escrevia para as revistas: “O Malho”, “A Semana” e o “Flamma”.

Em 1927 fixou residência em Belém. Ia muito em Bragança, onde tocava piano e declamava nos eventos sociais. Nesse período algumas vezes foi ao Rio.

Em junho de 1934, despediu-se de um amigo em Belém, dizendo que ia ao Rio de Janeiro de navio para tratamento de saúde e não deu mais notícias.

De Castro e Souza era descendente do 13º Governador Geral do Brasil, Gaspar de Sousa. A este governador foi doada a Capitania do Gurupi, cujo filho, herdeiro, Álvaro de Sousa, fundou a cidade de Bragança.

A poesia encaminhada ao interventor Magalhães Barata, foi porque o antecessor desse governador, que era amigo de De Castro, concedeu-lhe pelos cofres do Estado, uma pequena pensão, mas quando o Barata subiu ao poder, mandou cortá-la e nesse tempo ele já estava doente e vivia a custa de amigos.

Maria do Socorro Scerni

sobrinha do poeta

Belém, Pará, 1994

De Castro e Sousa

Reprodução fotográfica: Décio de Almeida

ANTOLOGIA

          Soneto
(Escrito expressamente para a Flamma)

Ficaste doente... E a mim próprio, indagava
como uma deusa pode ficar doente!
E se uma compaixão aparentava,
ficava jubiloso intimamente...

Por ti, a toda a gente, perguntava,
numa aflição constante de quem sente.
E - Confesso! - ao saber que o mal passava,
ia ficando, aos poucos, descontente...

Coisas do coração! Mistérios fundos
e impenetráveis que andam pelos mundos
e que inda ninguém pode decifrar.

Amor? Egoísmo? Nem sei bem... Perdoa,
mas, quando soube que ficaste boa,
tive um desejo doido de chorar!

Santos, março de 1927



           Soneto
  (inédito, para a FLAMMA)

Seu corpo divinal de cascavel
tem ateiado tanto o meu desejo,
que pelo que se passa em mim, eu vejo
que, tenho de bancar o coronel...

Os sonhos chegam todos em tropel
trazendo uma esperança do seu beijo,
numa sofreguidão de percevejo
ou de formiga quando encontra mel...

Seu corpo, senhorita... - Não se zangue!
é qual cipreste esguio de cemitério,
ou qual palmeira do canal do Mangue.

E não se ria, que o meu caso é sério:
mas, dos seus braços, eu, de amor, exangue
só sairia para o necrotério!



          Saudação
          À prendada conterrânea Benedicta Medeiros

Hoje, dia do teu aniversário,
eu bebo, Benedicta, a tua saúde,
pela extensão do teu itinerário
de paz, de fé, de sonho e de virtude.

Já que a vaidade os corações ilude,
faz da humildade o teu maior sacrário.
E deixa que qualquer vicissitude
aumente as contas d'esse teu rosário...

Eu brindo em ti, formosa Benedicta,
a bondade intangível e infinita
do nosso povo ingênuo, humilde e obscuro...

Da tua geração hão de surgir
os místicos heróis, que, no porvir,
hão de formar outro Brasil mais puro!

Bragança, 10 de março de 1928.



         Conselhos paternos

                          À meu filho Carlos

Ser generoso e bom, pacifico e sereno,
ante as desilusões que o teu destino trace.
E imita o exemplo ideal do meigo Nazareno:
- a quem te esbofeteie, oferece a outra face...

Quer seja a tua sorte eivada de veneno
e a serpe da desgraça a tua crença ameace,
não deixes de elevar a Providencia um treno,
nem rogues maldições a dor que te desgrace.

Não sejas rancoroso, ó filho, que o rancor
escurece a razão, empalidece o amor
e faz do homem distinto, as vezes, um bandido...

E mesmo que de ti se riam de escaninho,
não negues tua esmola e nem comas sozinho
o pão que possa ser co'os pobres repartido!

Bragança, 30/9/1930



        MINHA EXPLICAÇÃO
Ao Exmo. Sr. Capitão Magalhães Barata.
M. D. Interventor Federal, no Pará

                               Excia.!
Confesso, recebi do Camisão
A soma publicada pelo "O Estado",
Mandada de quem tinha coração
e via no meu tipo um desgraçado!

Quando eu nasci, nasceu a inspiração,
Que há de findar quando acabar meu fado...
Assim, tanto me faz ir pra prisão,
Como expulso da Pátria, ou fuzilado!

Já vê, Vossa Excelência, que eu não posso
Dar cumprimento à ordem recebida,
Tudo constante do mandado vosso.

Estas explicações são naturais,
Pois, se eu contar-lhe a minha triste vida,
Vossa Excelência acaba dando mais...

Bragança, 14-12-1930.



            Serenata Árabe

Teu corpo escultural
de Frinéia,
lindo, sensual,
que perturba a ideia
e o coração,
foi modelado pelo Criador,
para a celebração
do amor!

Teu corpo rescendendo à sândalo e à baunilha
tem tal delicadeza,
que eu julgo, filha,
que a natureza
fez de teu corpo a oitava maravilha!

De um bloco de granito
e da tinturaria do arrebol,
fez teu corpo bonito
e ardente como um sol...
E como se não bastasse
tanta coisa de escol,
pôs-te uma rosa rubra em cada face
e na garganta a alma de um rouxinol!

E ante à floração
das tuas primaveras
em que me abismo,
pressinto no meu ser, em combustão,
acenderem-se todas as crateras do sensualismo!

Pressinto que essa voluptuosidade
que tu, toda, ateias,
faça nascer os germes da maldade
dentro das minhas veias...

E como o pecador perante o altar,
abaixando a vista,
tremo de não poder apenas te contemplar
como um devoto, como um santo, como um artista.

Bragança, 31-3-1932.



           QUE IMPORTA

Que importa que eu não seja compreendido
na terra onde nasci, fecunda e boa,
qual Éden de belezas, estendido
à luz do sol e aos beijos da garôa?

Que importa que meu ser, esclarecido
no sofrimento que alma aperfeiçoa
não ganhe nunca o prêmio merecido,
se aquele que ama a ingratidão perdoa?

Que importa que meu corpo se desfaça
nos temporais da mágoa e da desgraça
e nas misérias que este mundo encerra,

se eu, como um mártir, num calvário novo
deixar o coração para o meu povo
e uma legenda para a minha terra!

Bragança, 1933



         NA ESCADA DE JACOB
   (Especial para o Caeté Jornal)

         Aos meus queridos conterrâneos

Eu vou morrer em breve... Mas, primeiro,
antes que a morte me termina a voz
quero dizer-vos todo o meu roteiro,
quanto lutei e padeci por vós.

Para vos dar um nome verdadeiro,
vivi na dor enclausurado e a sós,
cantando o vosso berço feiticeiro,
onde os bons anjos vêm velar por nós.

Calçado embora aos pés por todo o bruto,
mantive-me impassível, impoluto,
sem um queixume dentro do meu ser.

E agora, confortado pela fé,
lembro o fim de Jesus de Nazaré
que, para nos salvar, soube sofrer!

Bragança, 2-11-1933.



  PERFIL DE D. MAROQUINHA MEDEIROS

Quem tem uma alma e um coração assim,
cheios de tanto amor e compaixão,
quando for livre da matéria enfim,
irá ao céu, em mística ascensão.

Quem tem um coração como um jardim,
cujos canteiros só perfumes dão,
terá no reino do Senhor seu fim,
canonizada pela multidão.

É que seguindo de Jesus o trilho,
sem pompa, sem vaidade e sem receio,
o seu procedimento tem tal brilho,

que, nos desígnios em que a terra veio,
ela tanto acarinha o próprio filho,
como suaviza a dor do filho alheio!

Bragança, 1-12-1933.



        Oração à São Benedito

São Benedito da pequena ermida
que o sol exalça e o plenilunio beija
a todo aquele que sofrer na vida
teu coração magnanimo proteja

Ao que tem fome, ao que não tem guarida,
ao triste e ao doente, ao que soluça e arqueja
da lenitivo, a graça apetecida,
o doce amparo e a esmola benfazeja.

Que em tua eterna bem-aventurança
co'as mãos piedosas que o manto encobres,
faça descer a nós toda a abastança

E continuando nos teus gestos nobres
vela pelos destinos de Bragança,
perdoando aos ímpios e sorrindo aos pobres!



        O QUE O FAQUIR CONTOU

        Ao grande poeta De Campos Ribeiro

O mago leu a minha mão e disse:
- "Na sua eterna vida de cantor,
quanta alucinação, quanta tolice,
você tem praticado pelo amor.

"Não houve rosas que você não visse
no seu trajeto de conquistador.
E sem que nunca, um dia, o pressentisse,
em vez de afagos, encontrava a dor.

"Por isso é que está velho... Eis a razão
porque se afunda no torpor profundo
dos que arruinaram cedo o coração..."

Calou-se o mago. E em vez do ódio iracundo,
eu bendizia, na recordação,
as que me desgraçaram neste mundo!



         INEZ DE SOCIAIS

         À formosa e inteligente Srta. Ines Sério

É a floração da zona tropical...
Vitória-Régia que desabrochou
A flor das águas dum manancial,
Que o sol beijou e o luar purificou?

Quando ela sobre as águas flutuou,
Estranha e linda, esbelta e divinal,
Em sonho as lamas das coisas mergulhou,
Para a respiração universal...

Na síncope dos seres e das coisas,
Abriram em botão todas as rosas
Em um delírio de felicidade...

E eu só, meu Deus, estático de sonho,
Fiquei mais pesaroso e tristonho
Chorando a minha eterna soledade.



     HINO BRAGANTINO

Letra: De Castro e Souza
Música: Raimundo Cunha

        Solo - 1º
Como esteira de luz e bonança
a esplender para a nossa emoção.
esta terra ideal de Bragança
é de Deus a melhor criação...

          Coro
Se em suas margens majestosas
rola o formoso rio Caeté,
nas suas almas venturosas
desliza o bálsamo da fé.

        Solo - 2º
Dentro desta feraz natureza,
onde esplende o poder tropical,
nossa terra é um céu de beleza,
uma bíblia de amor divinal...

          Coro
Se em suas margens, etc.

        Solo - 3º
Desse sol, que reflete a esperança
fecundante do fruto e da flor,
nossa terra, a formosa Bragança,
é um ninho de paz e de amor!

          Coro
Se em suas margens, etc.

        Solo - 4º
Quando surge no céu a alvorada,
derramando torrentes de luz,
nossa terra é qual hóstia doirada,
consagrando o glorioso Jesus!

          Coro
Se em suas margens, etc.

        Solo - 5º
Se o Caeté pelas margens desliza,
murmurando canções ao luar,
nosso olhar assombrado divisa
que Bragança é de Deus um altar!

 

MÚSICA

De Castro e Souza 1

De Castro e Souza 2

 

LIVRO

“QUINZE SONETOS”

Opúsculo de poemas publicado em 1931. Informa que o autor era sócio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) com sede no Rio de Janeiro.

           FELICIDADE

                    A João Cruz Pacheco

Hoje é tão grande o meu contentamento,
tão grande esta alegria que me invade
que, dentro do meu sonho e encantamento,
creio na volta da felicidade.

Creio que uma secreta divindade,
com compaixão de tanto sofrimento,
trocou a minha lírica saudade
por outro mais alegre sentimento.

E na alegria que o meu ser bendiz,
se adivinhasse que ia ser feliz
na glorificação dos ideais,

eu juro, sem temor de hipocrisia,
pelas dores de Cristo e de Maria,
que ainda quisera ter sofrido mais.



                O MAR

                A Oswaldo de Oliveira, o distinto
                comissário do "Itapé"

Quando ele irado investe e os vagalhões levanta,
lançando-os com fragor de encontro as penedias,
quem pode compreender as suas agonias,
quem pode aquilatar tanta revolta, tanta?!

E quando a calma torna e o espectador encanta,
que inúmeras canções e quantas harmonias
há no seu seio azul, nos cristalinos dias
e nas noites de luar que ele namora e canta!

É que a alma do elemento, igualando a alma humana,
vibra de comoção e sente a mágua insana
de não poder jamais viver tranquilamente...

Estranhas forças são, que o fazem ser temido;
revolvem-lhe lá dentro o coração ferido,
como ousam revolver o coração da gente!



          O ROUXINOL

            A Simpliciano Medeiros

Eu tinha dentro d'alma um rouxinol
feliz, aristocrata, alvissareiro,
trinando, docemente e prazenteiro,
a escala da alegria em lá-bemol...

Era um prazer ouvi-lo. Mal o sol
rompia, dissipando o nevoeiro,
por todo o campo pelo prado inteiro,
o seu cantar festivo era de escol...

Cantava... Mas, um dia, o pobrezinho,
achou talvez o amor pelo caminho
e uma saudade pela vida achou.

Seu lindo canto foi ficando triste.
E como ao mal do amor ninguém resiste,
emudeceu... e nunca mais cantou!



              TEMPESTADES

Prossegue a noite... É fero o vendaval lá fora.
Titânico o trovão ribomba, sucedendo
ao raio que fuzila e os seres apavora,
no seu ziguezaguear errático, tremendo.

Ciclópicos bulcões - qual de corceis, horrendo
tropel - passam no céu, em debandada agora,
em magico atropelo, ululando, gemendo,
não divisar deixando as púrpuras da aurora.

Ve-lo, entretanto... E surdo ao temporal mundano,
que estoira lá por fora e que, por ser insano,
a cólera de Deus e o fim da Terra agoira,

eu tenho mais pavor, na minha soledade,
de uma outra, sem igual, medonha tempestade:
da que, por te não ver, dentro em meu peito estoira!



             FLOR DO PECADO
Passaste... E eu fiquei pasmo olhando o teu cabelo
Se era junco, não sei, teu corpo de marfim...
Só sei que o teu perfume embebedar me veio
e que passaste altiva, indiferente a mim.

A tua aparição não sei de onde proveio,
de onde surgiste tu, demônio ou querubim;
nem sei por que teu gesto e a curva do teu seio
me fizeram sentir uma emoção assim!

Beleza como a tua, a pena não descreve;
pois o teu corpo ideal, floco de espuma ou neve,
tinha um que de esplendor, um que de espiritual...

E deixa te dizer, se gostas de almas francas:
Os lindos braços teus eram serpentes brancas,
tentando para o amor, tentando para o mal!



           AMOR DE MÃE
 (Diálogo entre aluno e professor)

                  À minha irmã Hilarinha

- Dize, rapaz, em que consiste a vida?
- A vida, professor, é um tristeza...
"É um vale de mentira e de torpeza
"que a abutres e a panteras dá guarida.

- É necessário ter-se uma ferida
"dentro do peito, aberta em chaga, acesa,
"para falar-se mal da Natureza
"que pelos outros homens é querida.

"Tu, que és inteligente, és rico e és forte,
"por que te queixas já da tua sorte
"ainda na primavera dos teus anos?

- Porque, quando de mãe o amor perdemos,
"é que, afinal, na Terra, conhecemos
"quanto os outros amores são tiranos!



       A JANELA DE DULCE

                   A Raymundo Ribeiro

Mal a manhã no Oriente enrubescia
tão cheia de esplendor e singeleza,
Dulce, a janela azul do quarto abria,
em toda a plenitude da beleza.

Ao vê-la assim, ninguém tinha a certeza,
(porque diferençar não se podia)
se a aurora vinha lá da Natureza,
ou se no rosto d'ela é que surgia...

Um dia, um poeta... - d'esses trovadores
que, mal despertam, cantam seus amores -
viu-a e teceu-lhe bellos madrigais.

E, desde então, passaram madrugadas
lindas, sanguíneas, frescas, perfumadas,
mas... a janela azul... não se abriu mais!



       HISTÓRIA DE UM CRAVO
Deste-me um lindo cravo branco. Olhei-o,
primeiro com amor, por ser formoso,
cheio de vida e de esplendores cheio,
cheio de um grato aroma portentoso.

Por ter vindo de ti, depois, beijei-o
de um modo tão egoísta e tão guloso,
que o seu aroma embebedar me veio
e me veio tornar mais venturoso...

É que, ao beija-lo assim, sofregamente,
e o seu perfume erótico aspirando,
a ponto de toldar-me a própria mente,

- Perdoa-me a franqueza, é bom ser franco... -
julgava, em vez do cravo, estar beijando
todo o teu corpo perfumado e branco!



          DOMINADORA
Adeus, eu vou partir... A causadora
és tu, d'esta partida inesperada...
Quando eu voltar um dia da jornada,
tu nunca mais serás dominadora.

Um coração terás, serás senhora...
E vendo-te tão triste, tão mudada,
hei de lembrar-te a causa amaldiçoada
d'esta separação de que és autora.

Então, arrependida e muito, certo
hás de querer o que tiveste perto:
essa ventura ideal de ser querida!

Mas, sabedor que estás disposta a amar-me,
hei de... - Mentira! - Tu hás de dominar-me,
como até hoje... para toda a vida...



      NO INFERNO DO EGOÍSMO

                       A Israel Braga

Morrera a Clara... E eu não acreditara
nessa morte, por todos tão sentida,
se não visse essa jóia de Carrara,
em seu leito de rendas estendida.

De uma beleza impressionante e rara,
como uma flor examine e abatida,
fora a única mulher que desprezara
a mor paixão de toda a minha vida.

Olhei em torno... O quadro era pungente,
E embora lamentasse toda a gente
a lei da vida que ninguém suporta,

eu, infernal, no egoísmo mais profundo,
era o único mortal talvez no mundo
que ria intimamente ao vê-la morta!



              LÁGRIMAS

                       A Naseaseno Ferreira

Derramei-as também. Não temos de vertê-las,
ao menos uma vez, quando homens nos tornamos,
pelas lides do amor, pelas saudades, pelas
veredas da existência atroz que palmilhamos?

Quanta vez, a cantar, no íntimo soluçamos
nossas desilusões? Quem há de conhecê-las,
se d'este mundo mau as máguas ocultamos,
como da luz solar se ocultam as estrelas?...

Derramei-as também... Desde o vagido primo,
até a idade de hoje, entregue ao meu desgosto,
elas me foram o abrigo, elas me foram o arrimo.

E vivo a rir, a rir... a face mascarando...
tendo um Vesúvio n'alma e a placidez no rosto,
enganando os mortais... e a mim próprio enganando...



             O PIANO

                       A Filenillo Ramos

O piano tem também uma alma que nos fala
e conta as emoções dos músicos de outrora.
E se o dedilha alguém, em lamentosa escala,
todo ele se contorce em sentimento e chora.

As suas cordas de aço a inspiração abala
e repercute o som pelo infinito afora...
E quanto mais subtil seu diapasão, mais cala
dentro do nosso peito a mágoa que apavora.

Ouvimo-lo cantar, repletos de magia,
como se o manancial de toda a melodia
coubesse no arcabouço emocional do piano...

É que, lá dentro, a par do ferro e da madeira,
há qualquer alma ignota, imensa, verdadeira,
que sintetiza a dor do coração humano!



              INVERSO

                  A Manoel Rodrigues Ferreira

Lá, pelo mar, enquanto a superfície, querulas,
as ondas, o fraguedo e escarpas vão zurzindo,
no seu profundo seio, emaranhado e lindo,
esponjas e corais abraçam madrepérolas...

Os peixes e os repteis, em comunhão co'as férulas,
vivem tranquilamente, a parte mór dormindo,
enquanto, ao lume d'água, em convulsões, bramindo,
as vagas vão e vem, espumejando, cérulas...

Dá-se comigo o inverso. Enquanto no meu rosto,
constantemente calmo, há falta de tristeza,
pois nem sequer retrata um ínfimo desgosto,

explode, dentro de mim, a raiva mal contida,
de ver como, afinal, é toda a Natureza
igual no sofrimento e agitação da Vida!



     SANTO ANTONIO DO MEU TEMPO

                         A Britto Homem

Santo Antonio... Meu tempo! Que saudade
das fogueiras que em toda a parte havia!
Os bailes... As promessas... A ansiedade
da gente procurar a quem queria!...

Ver a velhice e ver a mocidade,
cheia de sonho, cheia de alegria,
perambular nas ruas da cidade,
em honra ao grande santo d'esse dia!

Tantas luzes havia pela Altura,
tantas safiras em cintilações
e ametistas de tanta formosura,

que a gente, as vezes, não sabia, ao vê-las,
se as estrelas é que eram os balões,
ou se os balões é que eram as estrelas!



           ONDINA

Quando ela veio ao mundo miserando
magoar os róseos pés em seus espinhos,
ouviu-se logo a voz dos passarinhos
a sua linda aparição cantando.

O sol, que vinha a Terra iluminando,
logo a envolveu fremente em seus carinhos.
E as flores perfumosas dos caminhos
todo o seu corpo foram perfumando.

Deus pois nos olhos seus duas estrelas,
que eram dois soes. E a gente para vê-las,
tinha que remontar a fantasia...

Deus fê-la tão bonita e tão faceira,
que ficou sendo a Vênus brasileira
e a encarnação de toda a poesia!
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Sesquicentenário de nascimento de Acrisio Motta

por João Jorge Pereira dos Reis

Paraense da cidade de Bragança, Acrisio Motta nasceu a 25 de junho de 1866. Jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, novelista, dramaturgo e funcionário postal.

ACRISIO MOTTA retrato 1 biblioteca nacional digital

Fez parte da equipe do periódico “Gazeta Postal”. Trabalhou como redator dos jornais “A Província do Pará”, “Diário de Notícias” e “Folha do Norte”. Foi membro-fundador da “Mina Literária” (1894). É o Patrono da Cadeira nº 3 da Academia Paraense de Letras.

Escreveu o poema indianista A Yára que lhe rendeu a tradução para a língua italiana no livro “Nostra Signora del Mar Dolce”, da escritora Gemma Ferrugia. Em vida publicou o livro Coisas Profanas, em 1895, prefaciado pelo crítico e poeta Adherbal de Carvalho. Uma obra muito elogiada pela imprensa brasileira.

Faleceu em 17 de agosto de 1907 na capital paraense. Um ano depois, o jornal “Folha do Norte” publicou Fadas e Lobishomens como homenagem póstuma dos companheiros de imprensa. Deixou inéditos: “O Estupro” (romance) e “Vingança do Tapuio” (contos), além de duas peças teatrais.

Em 1940, recebeu uma homenagem do “Almanaque do Grêmio Bragantino” através de um pequeno texto biográfico.

Virou tema de dois estudos acadêmicos defendidos na Universidade Federal do Pará (UFPA): “Acrisio Motta: contexto, vida e poesia” (TCC/Licenciatura Plena em Letras/1997) e “Mulher-Mármore: uma marca entre os poemas eróticos de Acrisio Motta” (Monografia/Especialização em Estudos Literários/2000), de João Jorge Pereira dos Reis.

Acrisio Motta 1

ANTOLOGIA

      SPLEEN DO SULTÃO

          - Ao João Cancio Braga -

Entre nuvens de incenso o sibarita
Boceja ainda e sente-se enojado:
Faz-lhe mal o ambiente perfumado
E a seda do coxim também o irrita.

De nada serve o leque que palpita
Na mão do negro eunuco ajoelhado;
Nem mais o excita o sensual agrado
D'uma odalisca lúrida e bonita.

O ser lhe invade o tédio mais nojento;
Quer o silencio; odeia o movimento;
Causam-lhe horror as lânguidas baladas.

Pendem-lhe então as pálpebras dormentes;
E da Sultana sobre os seios quentes
Sonha co'o bando das hourís sagradas.



      CROMO

      - Ao Licinio Silva -

Como uma esphera que arde
Sob o azuleo firmamento,
O sol se atufa sangrento
No crepúsculo da tarde.

A porta d'uma choupana
Junto ao dorso d'um penedo,
Saudosa, triste, em segredo,
Chora a misera serrana.

E ao longe, lá na penumbra,
O vulto se esvai, se obumbra
D'um caçador montanhês,

Que, da serrana formosa,
N'essa tarde vaporosa,
Se despedira de vez...



        NO BANHO

              - Ao Antonio Silva -

Lampeja o meu olhar sinistramente,
Como um punhal de lâmina homicida,
Quando vejo o teu corpo, ó Margarida,
Depois do morno banho emoliente.

Por entre os arvoredos da avenida,
Assim que a tarde vem, placidamente,
Lançar na terra a sombra indiferente
D'uma longa saudade indefinida,

Tenho a suprema e sensual ventura
De vêr-te a forma e a cálida brancura
Do teu corpo mignon e aveludado.

N'esse momento... Sim, n'esse momento
O meu raivoso olhar dúbio e sedento
Parece o olhar d'um tigre esfomeado!

 

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Raimundo Sodré fala de crônica

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Bate-papo realizado hoje  na Escola Estadual Avertano Rocha, no Distrito de Icoaraci, em Belém (PA), o escritor Raimundo Sodré falou da crônica tanto literária quanto jornalística. Momento para os meus alunos do 1º ano do Ensino Médio conhecerem mais o gênero textual, o autor e fases de produção.

Sodré apresentou o livro de apenas um conto “A Filha do Holandês” e dois de crônicas “O Rio do Meu Lugar” e “Corrente”. Nascido em Xapuri (AC), o escritor começou escrevendo poemas. Já publicou mais de 400 crônicas no jornal “O Liberal”.

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